segunda-feira, 25 de junho de 2012

SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS PRESENTES NO CIGARRO, MUDAM O DNA DA CÉLULA

Alteração do código genético leva ao desenvolvimento do câncer no pulmão, na laringe, na bexiga e em vários órgãos do corpo
A situação é grave: no Brasil, o número de fumantes chega a quase 32 milhões. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca) o tabaco é responsável por cerca de 200 mil mortes por ano. A pesquisa Vigitel Brasil 2011, do Ministério da Saúde, mostrou que a frequência de adultos fumantes varia muito de acordo com a cidade. O índice mais baixo apareceu em Maceió, 7,8%, enquanto Porto Alegre esse número chegou a 22,6%. A capital gaúcha é seguida no ranking por Curitiba, com 20,2% e São Paulo, com 19,3%.
Já São Paulo, que fica em terceiro lugar no ranking dos homens com 22,2%, tem 16,8% de fumantes entre as mulheres. 
Os fumantes têm entre 20 e 30 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão. Outro problema que ganha destaque é o tabagismo passivo, inalação da fumaça do cigarro por não fumantes, que convivem com fumantes em lugares fechados. Adultos que são regularmente expostos à fumaça possuem 30% a mais risco de desenvolver um câncer de pulmão e até 24% a mais de risco de ter um infarto.
O cigarro contém cerca de 4.720 substâncias tóxicas. Além das mais conhecidas, como nicotina e monóxido de carbono, a fumaça do cigarro possui substâncias radioativas como polônio 210 e cádmio (o mesmo das baterias dos carros). De acordo com a Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), o Brasil é o segundo produtor mundial de fumo em folha, ficando atrás somente da China. A Região Sul se destaca por concentrar a maior parte da produção de fumo do país.
Algumas das substâncias químicas presentes na fumaça do tabaco causam, iniciam ou promovem o câncer. Elas afetam o código genético das células (DNA), o que leva ao desenvolvimento do câncer no pulmão, na laringe, na bexiga e em vários órgãos do corpo. Num cigarro, há mais de 4 mil compostos químicos, particulados e gases, centenas deles são tóxicos e, pelo menos, 69 deles causam câncer, segundo dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer. 
Um problema de difícil solução
Guilherme Jorge Costa, presidente da Comissão de Câncer da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a infraestrutura para o tratamento da doença geralmente está concentrada em grandes centros metropolitanos, há falta de equipamentos, profissionais capacitados e treinamento em todo o país. 
Os problemas significam, na prática, demora no diagnóstico e no início do tratamento. Como o câncer de pulmão é uma doença silenciosa, ou seja, os sintomas começam a surgir, geralmente, já na fase mais avançada, mesmo com todos os avanços em tecnologias, as taxas de cura pouco evoluíram no mesmo período. 
Segundo o especialista, o problema é a utilização de exames radiológicos preventivos para a detecção, que têm mostrado resultados insatisfatórios em diagnosticar precocemente o câncer de pulmão. 
O câncer de pulmão é o tipo mais letal e frequente. As projeções de autoridades de saúde são de um aumento de 2% em sua incidência mundial. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, foram diagnosticados mais de 27 mil casos da doença em 2010, sendo 17.210 em homens e 10.110 em mulheres. Em 2009, 21.069 pessoas morreram em função da enfermidade (13.23 homens e 7.776 mulheres). 
E os especialistas são unânimes em afirmar que mais de 80% dos casos estão relacionados ao fumo e poderiam ser evitados com o abandono do tabagismo. Segundo Guilherme Jorge Costa, presidente da Comissão de Câncer da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), morrem aproximadamente 5 a 6 milhões de pessoas no mundo por doenças provocadas pelo uso do tabaco.
— Caso se mantenha a taxa atual de fumantes, em 2020, haverá mais de 10 milhões de mortes por ano. Precisamos parar de fumar, urgente — afirma o pneumologista.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), houve um aumento anual de 2% na incidência mundial de câncer de pulmão. Em 2000, ocorreram cerca de 15 mil mortes devido à doença, o mais comum entre todos os tumores malignos e, no Brasil, o responsável pelo maior número de vítimas.

Impacto do fumo na saúde global 

:: 15 pessoas morrem por hora no Brasil devido a doenças associadas ao tabaco.


:: Os efeitos adversos à saúde provocados pelo tabaco levam a 6 milhões de mortes por ano mundo. Nos EUA, estima-se que uma a cada cinco mortes é associada ao tabagismo (443 mil mortes/ano). 


:: Estima-se que 90% de todas as mortes por câncer de pulmão nos homens e 80% nas mulheres sejam causados pelo tabaco. 


:: Cerca de 90% de todas as mortes por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é causada pelo tabaco. 


:: Comparado aos não fumantes, os indivíduos fumantes tem um elevado risco de desenvolver o câncer de pulmão de 20 a 30 vezes maior.



Fonte: Zero Hora – Vida e Saúde

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